Leituras
Johannes Itten, A arte da cor · Josef Albers, A interação da cor · Wassily Kandinsky, Do espiritual na arte · Eva Heller, A psicologia das cores.
Conteúdos · Cor
A cor fala antes das palavras. Entenda como ela funciona, como combiná-las e o que ela provoca nas pessoas, separando o que a ciência sabe do que é costume e cultura. Tudo para mexer.
01 · Fundamentos
A cor não está “dentro” dos objetos. Ela nasce da combinação de três coisas: a luz, o objeto que reflete uma parte dela e o olho com o cérebro que interpretam o resultado.
A luz visível é só uma faixa de ondas eletromagnéticas, de cerca de 380 a 750 nm. Em 1666, Isaac Newton mostrou que a luz branca contém todas as cores do espectro. Nossos olhos têm três tipos de cones (sensíveis a ondas curtas, médias e longas), e é a comparação entre eles que cria todas as cores que enxergamos.
Telas emitem luz: misturar mais luz deixa mais claro (síntese aditiva, RGB). Tintas e impressão absorvem luz: misturar mais tinta deixa mais escuro (síntese subtrativa, CMY). Experimente abaixo.
Matiz (hue) é a “cor” em si: vermelho, verde, azul. Saturação é a pureza, de cinza a vívido. Valor ou luminosidade (lightness) é o quão clara ou escura. Muita gente erra ao ajustar só o matiz. O valor é o que mais importa para a leitura.
02 · Harmonias
O círculo cromático organiza os matizes. Escolha uma cor base (clique ou arraste na roda) e um tipo de harmonia: os pontos mostram quais cores combinam. Harmonia é um ponto de partida, não uma lei.
Regra 60-30-10: use uma cor dominante (~60%), uma de apoio (~30%) e uma de destaque (~10%).
Johannes Itten, da Bauhaus, organizou o uso da cor em sete contrastes. Cada um é uma ferramenta para criar ênfase.
03 · Significados
Escolha uma cor. As associações abaixo reúnem autores clássicos da psicologia e do design das cores, com exemplos de cinema e games.
04 · Cor na narrativa
Josef Albers (A interação da cor) mostrou que uma cor é percebida de acordo com as cores ao redor. Os dois quadrados centrais abaixo são exatamente iguais. Mexa nos controles e depois ative “provar”.
Um levantamento da Venngage (empresa de infográficos) notou que personagens “bons” costumam usar azuis, amarelos e verdes, enquanto “maus” carregam vermelho, roxo e preto. É uma tendência de mercado, não uma lei: o verde, por exemplo, aparece tanto em heróis quanto em vilões.
No caso dos vilões Disney, o roxo remete a realeza, poder e autoridade (quem quer controlar o mundo), e o verde à inveja, à ganância e a ameaças tóxicas. Malévola reúne as duas ideias.
Estúdios como a Pixar planejam a cor da história inteira em um color script: uma tira de quadros que mostra a cor de cada momento. Escolha um tipo de história e veja a emoção evoluir.
A sombra reforça estados emocionais. Escolha um tipo e veja como o mesmo personagem muda de clima.
05 · Laboratório
A mesma cena com paletas e ajustes diferentes. Teste também como ela é vista com daltonismo e em preto e branco (o “teste do valor”: se a leitura se perde sem cor, a cor está sustentando uma hierarquia que deveria ser de claro e escuro).
Cerca de 1 em cada 12 homens e 1 em cada 200 mulheres têm algum tipo de daltonismo (principalmente vermelho-verde). Por isso, nunca use só a cor para passar uma informação (por exemplo, vida alta × baixa): acrescente forma, ícone ou texto.
Para texto legível, o padrão WCAG pede razão de contraste de pelo menos 4,5:1 (texto normal) ou 3:1 (texto grande e elementos gráficos). Escolha duas cores.
06 · Cola rápida
| Cor | Pode comunicar | Cuidado com |
|---|
A identidade da Octopus nasceu do logo e atribui um papel a cada cor.
Johannes Itten, A arte da cor · Josef Albers, A interação da cor · Wassily Kandinsky, Do espiritual na arte · Eva Heller, A psicologia das cores.
Elliot, A. J. & Maier, M. A. (2014). Color psychology: effects of perceiving color on psychological functioning in humans. Annual Review of Psychology, 65, 95–120.
Birren (1988), Lüscher (1969) e Morton (1997) são referências clássicas da área, mais ligadas à prática do que à pesquisa experimental atual. Vale lê-los com senso crítico.