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Conteúdos · Cor

Psicologia das cores

A cor fala antes das palavras. Entenda como ela funciona, como combiná-las e o que ela provoca nas pessoas, separando o que a ciência sabe do que é costume e cultura. Tudo para mexer.

01 · Fundamentos

O que é cor, afinal?

A cor não está “dentro” dos objetos. Ela nasce da combinação de três coisas: a luz, o objeto que reflete uma parte dela e o olho com o cérebro que interpretam o resultado.

A luz visível é só uma faixa de ondas eletromagnéticas, de cerca de 380 a 750 nm. Em 1666, Isaac Newton mostrou que a luz branca contém todas as cores do espectro. Nossos olhos têm três tipos de cones (sensíveis a ondas curtas, médias e longas), e é a comparação entre eles que cria todas as cores que enxergamos.

Luz × pigmento

Telas emitem luz: misturar mais luz deixa mais claro (síntese aditiva, RGB). Tintas e impressão absorvem luz: misturar mais tinta deixa mais escuro (síntese subtrativa, CMY). Experimente abaixo.

As três dimensões da cor: matiz, saturação e valor

Matiz (hue) é a “cor” em si: vermelho, verde, azul. Saturação é a pureza, de cinza a vívido. Valor ou luminosidade (lightness) é o quão clara ou escura. Muita gente erra ao ajustar só o matiz. O valor é o que mais importa para a leitura.

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02 · Harmonias

Combinar sem errar

O círculo cromático organiza os matizes. Escolha uma cor base (clique ou arraste na roda) e um tipo de harmonia: os pontos mostram quais cores combinam. Harmonia é um ponto de partida, não uma lei.

Regra 60-30-10: use uma cor dominante (~60%), uma de apoio (~30%) e uma de destaque (~10%).

Os 7 contrastes de Itten

Johannes Itten, da Bauhaus, organizou o uso da cor em sete contrastes. Cada um é uma ferramenta para criar ênfase.

03 · Significados

O que cada cor comunica

Escolha uma cor. As associações abaixo reúnem autores clássicos da psicologia e do design das cores, com exemplos de cinema e games.

Divertida Mente: cada emoção, uma cor

Alegriaamarelo
Tristezaazul
Raivavermelho
Medoroxo
Nojinhoverde

04 · Cor na narrativa

A cor conta a história

1. A cor muda conforme o entorno

Josef Albers (A interação da cor) mostrou que uma cor é percebida de acordo com as cores ao redor. Os dois quadrados centrais abaixo são exatamente iguais. Mexa nos controles e depois ative “provar”.

2. Vilões e heróis: verde e roxo

Um levantamento da Venngage (empresa de infográficos) notou que personagens “bons” costumam usar azuis, amarelos e verdes, enquanto “maus” carregam vermelho, roxo e preto. É uma tendência de mercado, não uma lei: o verde, por exemplo, aparece tanto em heróis quanto em vilões.

No caso dos vilões Disney, o roxo remete a realeza, poder e autoridade (quem quer controlar o mundo), e o verde à inveja, à ganância e a ameaças tóxicas. Malévola reúne as duas ideias.

3. O color script

Estúdios como a Pixar planejam a cor da história inteira em um color script: uma tira de quadros que mostra a cor de cada momento. Escolha um tipo de história e veja a emoção evoluir.

4. Luz e sombra também sentem

A sombra reforça estados emocionais. Escolha um tipo e veja como o mesmo personagem muda de clima.

05 · Laboratório

Pinte o clima

A mesma cena com paletas e ajustes diferentes. Teste também como ela é vista com daltonismo e em preto e branco (o “teste do valor”: se a leitura se perde sem cor, a cor está sustentando uma hierarquia que deveria ser de claro e escuro).

ALEGRIA

Cerca de 1 em cada 12 homens e 1 em cada 200 mulheres têm algum tipo de daltonismo (principalmente vermelho-verde). Por isso, nunca use só a cor para passar uma informação (por exemplo, vida alta × baixa): acrescente forma, ícone ou texto.

Contraste e leitura

Para texto legível, o padrão WCAG pede razão de contraste de pelo menos 4,5:1 (texto normal) ou 3:1 (texto grande e elementos gráficos). Escolha duas cores.

Texto de exemploQuanto maior o contraste, mais fácil de ler.
3.69:1

06 · Cola rápida

Resumo e referências

CorPode comunicarCuidado com

Estudo de caso: a paleta da Octopus Gamers

A identidade da Octopus nasceu do logo e atribui um papel a cada cor.

Leituras

Johannes Itten, A arte da cor · Josef Albers, A interação da cor · Wassily Kandinsky, Do espiritual na arte · Eva Heller, A psicologia das cores.

Artigos

Elliot, A. J. & Maier, M. A. (2014). Color psychology: effects of perceiving color on psychological functioning in humans. Annual Review of Psychology, 65, 95–120.

Autores clássicos

Birren (1988), Lüscher (1969) e Morton (1997) são referências clássicas da área, mais ligadas à prática do que à pesquisa experimental atual. Vale lê-los com senso crítico.